A divulgação científica tem enfrentado muitos desafios, como buscar estratégias novas, efetivas e dialógicas para promover a conexão entre ciência e sociedade. Nesse contexto, o teatro vem despontando como um forte aliado, pois tem potencial que vai além de transmitir conteúdo. Essa pesquisa, inserida nos estudos de recepção teatral e da divulgação científica, tem como referenciais teóricos Bergson (humor), Hall e Martín-Barbero (comunicação) e como objetivo analisar a inserção e a recepção do humor na peça infantil O problemão da Banda Infinita do Museu da Vida Fiocruz. Para isso, nos debruçamos sobre o texto da obra, um diário de campo, o acompanhamento dos ensaios e fichas de observação. Os resultados evidenciam uma reação positiva do público aos mecanismos de humor identificados na peça, com destaque para a interferência, que dialoga com o duplo sentido e revela o compartilhamento de questões socioculturais e de pertencimento entre os espectadores. O estudo aprofunda a reflexão sobre a potência do teatro e do humor na divulgação científica, identificando mecanismos específicos dessa linguagem e a reação da plateia a eles.
Introdução: O negacionismo científico e a desinformação representam desafios crescentes à difusão do conhecimento científico. Nesse contexto, buscamos explorar o potencial dos cinedebates como ferramenta de divulgação científica no ensino de pós-graduação. O estudo relata a experiência com o CineBioUFF, Cineclube de Divulgação Científica do Instituto de Biologia da UFF, onde realiza uma sessão mensal para docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Biotecnologia (PPBI-UFF) e é baseado nos dados dessas sessões que se desenha a metodologia deste trabalho. Metodologia: Adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, utilizando questionários estruturados com seis questões relacionadas às exibições e seus debates. Os questionários foram respondidos por alunos após cada sessão (n=32, sendo 12 na primeira e 20 na segunda exibição). A análise dos dados visou identificar o nível de compreensão dos temas abordados e avaliar a efetividade dos cinedebates. Resultados: As duas primeiras exibições do CineBioUFF, “Scientia: Os Impactos dos Microplásticos” e “Crip Camp: Revolução para a Inclusão”, foram analisadas. Na primeira exibição, a maioria dos alunos compreendeu as principais ameaças dos microplásticos e as possíveis soluções, mas apresentou algumas dúvidas sobre o objetivo principal do projeto “Scientia”. Na segunda exibição, os alunos demonstraram um entendimento mais sólido das questões principais relacionadas à diversidade e inclusão, com poucas dúvidas sobre o tema. Conclusão: O CineBioUFF demonstrou ser uma ferramenta promissora para a divulgação científica no ensino de pós-graduação. As próximas sessões utilizaram a escala de Likert para aprimorar a análise das respostas e compreender melhor a influência dos cinedebates na ampliação do conhecimento científico pelos alunos.
O projeto “Mar à Vista!” promove a educação ambiental e a conscientização sobre a cultura oceânica, especialmente entre crianças. Recentemente, o projeto desenvolveu um evento de destaque: promover uma experiência cinematográfica para crianças da rede pública do interior de Alagoas, residentes na Costa dos Corais, região central de suas atividades. Esta iniciativa visou proporcionar uma experiência única de aprendizado e entretenimento, trazendo o universo marinho para a tela grande. O evento incluiu a exibição de um filme produzido pelo projeto , retratando as maravilhas e desafios dos ecossistemas costeiros, de maneira lúdica e de fácil entendimento para as crianças. Além disso, os participantes puderam desfrutar de atividades complementares, como debates interativos, gincana e distribuição do material gráfico do projeto. Essa iniciativa fortaleceu a conscientização ambiental, valorizou a cultura local e promoveu a sensibilização para questões voltadas à cultura oceânica, criando um impacto positivo e duradouro nos municípios que participaram da ação.
Este estudo examina os padrões de republicação de conteúdo científico em veículos de mídia jornalística no Brasil e no Canadá, com o objetivo de compreender como a informação científica circula em diferentes contextos nacionais. A pesquisa baseia-se na coleta sistemática de notícias, considerando variáveis como a originalidade, o veículo de publicação e a fonte da republicação. Os resultados revelam que a republicação ocorre de forma desigual e é mais frequente nas plataformas generalistas. Ambos os países demonstram uma forte dependência de conteúdos produzidos no Norte Global, o que indica padrões assimétricos na circulação global da informação científica. No entanto, há diferenças contextuais, especialmente no caso canadense, que apresenta maior circulação interna desse tipo de informação. Os achados também destacam o papel de modelos editoriais distintos, como o The Conversation, que diluem as fronteiras entre a autoria científica e a mediação jornalística. Os resultados sugerem que a republicação constitui um elemento estruturante da comunicação pública da ciência, influenciando a diversidade de perspectivas e a visibilidade de diferentes agendas científicas. O estudo contribui para o debate sobre as desigualdades globais na comunicação da ciência e aponta para a necessidade de compreender a circulação como dimensão central desse campo.
Nesta pesquisa investigamos as práticas de divulgação científica desenvolvidas por Clubes de Ciências brasileiros em suas redes sociais digitais, com foco no Instagram. Fundamentado na perspectiva da cultura científica (Vogt, 2012, 2023) e na compreensão da divulgação científica como práxis educativa, o estudo adota uma abordagem qualitativa, com procedimento netnográfico, analisando 25 postagens de cinco clubes vinculados à Rede Internacional de Clubes de Ciências. Os resultados nos permitem concluir que os Clubes comunicam uma diversidade de práticas, destacando-se a participação em eventos científicos e a explicação de conceitos, evidenciando potencial para a mediação entre ciência e sociedade. Contudo, também identificamos tensões entre postagens descritivas e aquelas com maior aprofundamento conceitual e crítico. Concluímos que os Clubes de Ciências, ao utilizarem o Instagram, configuram-se como espaços de produção, circulação e divulgação do conhecimento científico, contribuindo para a promoção da cultura científica em seus contextos sociais, especialmente de suas comunidades e territórios.
Neste relato, abordarei a importância de incluir a educação midiática e a divulgação científica no currículo escolar, conforme exigido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil. Neste documento há a sugestão que divulgadores científicos possam ministrar cursos de formação para professores ou assumir aulas sobre esses temas. A complexidade de dos algoritmos de redes sociais, aliado ao hiperpartidarismo e a crise na confiança na mídia tradicional são desafios significativos e a educação de jovens e adolescentes, mesmo em contextos polarizados, pode melhorar a análise crítica de estudantes. Desta forma, argumentarei apontando que esta é um bom direcionamento para pensarmos o combate à desinformação.
O Grupo de Trabalho 4, no II Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência em 2023, discutiu estratégias para explorar a interação entre dois campos de produção de conhecimento: Artes e Ciências. Ao longo dos encontros do GT, buscamos discutir diferentes modos de articulação de forma não hierárquica. Foram abordados modos de lidar e pensar acerca das Ciências, em sua produção na busca da compreensão do mundo, bem como aspectos das Artes, em sua maneira de construir, por meio da estética e afeto, visões de mundo em prol da estruturação de uma divulgação científica coletiva e colaborativa
O Grupo de Trabalho 5, do II Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência, discutiu neste relato modos de analisar projetos de divulgação científica. Ao longo de 3 encontros, apontou-se metodologias e análises de impacto, passando por 2 modalidades de projetos, em especial: trabalhos on line e trabalhos offline. Para compreender melhor a relevância das análises de impacto, várias questões foram aventadas, como: quais melhores espaços para fazer divulgação, se é mais interessante expandir ou ampliar a rede, relação com espaços institucionais e agências de fomento.
O capítulo discute canais de financiamento público, editais e estratégias institucionais para viabilizar projetos de divulgação científica. Aborda a escrita de projetos, a atuação junto a universidades e centros de pesquisa e a importância de estruturas institucionais para captação de recursos. Analisa também o papel de empresas e fundações privadas, além dos desafios da prestação de contas após a execução dos projetos. O texto articula essas discussões à profissionalização da carreira, defendendo a divulgação científica como trabalho legítimo, que demanda planejamento, formação e políticas de fomento.
O Grupo de Trabalho 3, no II Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência em 2023, discutiu estratégias para trabalhar com projetos que iniciam em espaços presenciais e migram parte de sua produção para espaços virtuais. O grupo apontou a necessidade de compreender melhor as diferenças entre os planejamentos, produções de conteúdos e maneiras de interagir com o público. Também foram ressaltadas diferenças entre mensurar impactos presenciais e virtuais e analisar nossos impactos a partir das premissas que temos – acerca do que é divulgar ciência e o papel de nosso projeto neste cenário. Por fim, elaboramos linhas guia, em um exercício de produzir um caminho que pode ser pensado como ponto de partida para desenvolver projetos que funcionam de modo híbrido, no Brasil contemporâneo.
O Grupo de Trabalho 1, no 2º Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência em 2023, discutiu estratégias para combater a desinformação e criar redes de confiança. Foram abordados tópicos como o financiamento de grupos de desinformação, como os afetos impulsionam o compartilhamento de conteúdos falsos, a necessidade de construir manuais e estratégias de comunicação, a importância da formação relacional e da comunicação não violenta, e a busca divulgação científica que abranja a diversidade racial, étnica, de gênero e classe. O grupo concluiu que o combate à desinformação envolve um processo de construção coletiva, estabelecendo redes de confiança presenciais e espaços não hierárquicos de construção do saber.
O capítulo discute o conceito de temas polêmicos e de desinformação, entendendo-os como fenômenos sociais complexos e não triviais. Apresenta estratégias como diálogo e comunicação acolhedores, educação e formação em diferentes níveis, e trabalhar e divulgar metodologia científica com transparência. Destaca a importância da criação de redes de apoio de divulgadores, do cuidado com a saúde mental e do desenvolvimento de políticas públicas de divulgação científica. O texto conclui defendendo abordagens éticas, críticas e coletivas no enfrentamento da desinformação.
O capítulo parte da introdução de relatos de experiências para discutir como iniciativas de divulgação científica podem conquistar visibilidade no ambiente digital. Analisa campanhas coletivas, uso estratégico das redes sociais e a importância da diversidade de projetos e formações dentro do grupo. O texto enfatiza o trabalho colaborativo, a criação de campanhas temáticas e a superação de bolhas informacionais. Destaca ainda os desafios impostos por algoritmos, plataformas e disputa por atenção, reforçando a internet como espaço central, mas complexo, para a divulgação científica.
O capítulo discute acessibilidade a partir de relatos e reflexões do grupo de trabalho, enfatizando a transição do “fazer para” para o “fazer com” pessoas com deficiência. Analisa barreiras comunicacionais, sociais e atitudinais, problematizando a ideia de acessibilidade como simples checklist. O texto aborda a invisibilização das pessoas com deficiência, dialoga com dados da OMS e defende processos comunicativos inclusivos baseados em escuta ativa, planejamento e participação. A acessibilidade é apresentada como prática contínua e estruturante da divulgação científica.
Este relato discute possibilidades e desafios para uma divulgação científica feminista e decolonial tendo como referência o modelo de comunicação e difusão do conhecimento adotado pelo Observatório Caleidoscópio. Para isso, relatamos atividades desenvolvidas no INCT Caleidoscópio, como a produção de conteúdos para sites e redes sociais, artigos para os Boletins semestrais, os podcasts e ações em projetos de extensão e pesquisa junto a comunidade. O INCT propõe uma política de divulgação feminista amefricana e anticapitalista que, mais do que disseminar conteúdos, se interessa pela construção coletiva de saberes em diálogo direto com a sociedade.
Um dos trabalhos relevantes da comunicação é sabermos o que queremos falar. No entanto, mais do que isso, é preciso compreender como falar com diferentes públicos alvos. Para isso, é necessário testar diferentes abordagens e mensagens para alcançar diferentes públicos. A escuta e a busca por diversidade de meios, que não se limitem ao mundo digital, além da importância de parcerias com influenciadores, personalidades e celebridades para alcançar novos públicos e a necessidade de traduzir a linguagem científica para torná-la mais acessível é um dos modos de levar a cabo nossa tarefa de comunicar.
Apresentamos um relato de experiência de um projeto que levou para crianças uma sequência didática, cujo objetivo principal foi a troca de carta contendo questões sobre ciência entre as crianças e os cientistas.
A experiência de escrita e comunicação periférica possui uma grande relevância, ao envolver lideranças locais no debate sobre mudanças climáticas. Ao pensarmos a partir da periferia, percebemos que é fundamental compreendermos de que modo acontece a comunicação nestes espaços, fora do que vem se pensando atualmente, centralizado na internet. Assim, a partir do exemplo da pandemia de Covid-19, em que vimos a comunicação popular trazendo o debate dentro da condição das comunidades de se cuidar, é possível defender uma comunicação que seja racializada, trazendo pesquisadores e comunicadores negros para a discussão.
Meu objetivo nesta fala do II Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência é trazer algumas relações da computação e programação para a temática do evento Ciência, Comunicação e Política. Neste sentido, abordo a relação entre como nós vivemos atualmente e como criamos a ideia de algoritmo quase como uma entidade que faz parte de nossa rotina. Todavia, não levamos em conta o quanto nossas interações alimentam, diariamente, muitas informações pessoais em aplicativos que viralizam, em redes sociais e outros usos da internet. Longe de demonizar as tecnologias, é preciso olharmos com mais atenção a projetos e propostas de redes mais éticas e com uma condução responsável sobre as informações sociais.
A Agenda 2030 é um plano de ação global que reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas em áreas consideradas essenciais para a humanidade e para o planeta a serem atingidas até o ano de 2030. Considerando a importância da sociedade para o desenvolvimento sustentável, este trabalho objetivou levantar as concepções sobre sustentabilidade e afins do público consumidor do conteúdo digital do Portal Ciência na Web, um projeto de divulgação científica que tem como principal objetivo popularizar a ciência nas mídias digitais. Para esse levantamento, foi elaborada uma pesquisa de opinião pública voluntária e não-identificada, no formato digital, contendo perguntas a respeito da Agenda 2030 e dos ODS. Após a pesquisa realizada, entende-se que, entre os estudantes, os termos “Agenda 2030”, “Sustentabilidade” e “ODS” estão mais difundidos do que entre os respondentes de outras áreas e profissões, mas ainda é deficiente a concepção de que a sustentabilidade é um conceito amplo e não restrito apenas ao meio-ambiente. Assim, a divulgação científica se faz necessária para que esse conhecimento seja disseminado e, para isso, o Portal Ciência na Web se propõe a produzir conteúdo digital diverso sobre o assunto para divulgação em suas mídias digitais.