Este artigo analisa o papel do afeto na divulgação científica a partir de duas notícias brasileiras sobre a polilaminina, substância experimental investigada como potencial tratamento para lesão medular. Fundamentado na Semiótica greimasiana, o estudo adota uma abordagem qualitativa, documental e comparativa, com foco nos processos de enunciação, tematização, figurativização, modalização e construção da credibilidade. A análise mostra que a polilaminina não circula apenas como objeto cognitivo (vinculado ao saber técnico), mas é reconfigurada como um objeto de valor afetivamente investido por figuras como “esperança” e “luz”. Os resultados demonstram que o diálogo dos afetos não substitui o saber científico, mas reorganiza sua apresentação pública, modulando a relação entre cautela, promessa e autoridade. Conclui-se que, no contexto jornalístico, a divulgação científica não apenas transmite informação, mas se insere em um projeto de comunicação que reinscreve o saber em regimes de inteligibilidade atravessados por experiência, expectativa e mediação afetiva.