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O trabalho relata a experiência do Projeto Paraopeba, do World Mosquito Program (WMP) Brasil, que utiliza a comunicação como estratégia de divulgação científica do Método Wolbachia em municípios atingidos pelo rompimento das barragens em Brumadinho (MG). Com base em abordagens territorializadas e participativas, as ações são orientadas por pesquisas de base e organizadas em eixos que priorizam informação acessível, escuta e diálogo. A aplicação em Brumadinho demonstra que o uso de canais de confiança e a adaptação às realidades locais contribuem para a compreensão e aceitação do método, evidenciando o papel da comunicação na implementação de tecnologias em saúde.
O presente trabalho relata a experiência de um projeto de extensão universitária na licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal do Maranhão com crianças entre 8 e 12 anos em contexto de vulnerabilidade social, desenvolvido em uma comunidade. A proposta teve como objetivo promover a aproximação entre universidade e sociedade por meio da divulgação científica em linguagem acessível. A metodologia baseou-se em encontros semanais de agosto a dezembro de 2025, estruturados com atividades teóricas e práticas, incluindo dinâmicas, experimentos, jogos educativos e uso de recursos audiovisuais. Os encontros abordaram temas associados às áreas ambientais e de saúde, buscando estimular o interesse científico e a participação ativa das crianças. Os resultados evidenciaram maior engajamento das crianças, além do fortalecimento da aprendizagem em ciências. Para os extensionistas, a experiência contribuiu para a formação docente, fortalecendo competências como comunicação, planejamento e mediação do conhecimento. Conclui-se que a extensão universitária desempenha papel fundamental na divulgação científica, ao democratizar o acesso ao conhecimento e promover aprendizagem significativa tanto para a comunidade quanto para os estudantes envolvidos.
Neste trabalho apresentamos aspectos relativos a uma peça infantil no âmbito do teatro científico, modalidade que mescla técnicas do teatro e o rigor da ciência em prol da divulgação científica. A temática principal da peça é o ciclo das águas, permeado pelas alterações decorrentes da ação humana sobre o meio ambiente. O objeto de análise é uma cena que aborda a incidência de águas-vivas no litoral do Paraná. Apresentamos: o grupo de teatro responsável pela encenação da peça; a peça infantil; motivações para a criação da cena; o texto da cena; uma análise da cena; e uma análise da reação das crianças ao assistirem à cena. Além de refletir um dos problemas enfrentados pelos veranistas nos últimos verões, a incidência de águas-vivas, a cena também expõe a produção e descarte irregular de lixo, a disseminação de microplásticos nas águas e suas consequências na vida marinha. As conclusões apontam para: o conhecimento prévio do perigo do contato com águas-vivas, mesmo por crianças que moram distante do mar; e a percepção de que, embora as crianças demonstrem internalização do conceito de “jogar o lixo fora”, não há a percepção de que, em um sentido mais amplo de meio ambiente, não há “fora”.
Este artigo analisa uma experiência de comunicação científica baseada em trocas epistolares entre jovens refugiados da República Democrática do Congo e estudantes do Ensino Médio brasileiro. A partir de um corpus composto por cartas em três momentos — escrita inicial dos congoleses, resposta dos brasileiros e réplica dos congoleses — investiga-se a linguagem como prática de construção de vínculos, elaboração da experiência e imaginação de futuro. Ancorado na análise do discurso e em autores como Michel Foucault, Michel Pêcheux, Achille Mbembe e Paulo Freire, o estudo evidencia a agência dos sujeitos refugiados não apenas como narradores, mas como interlocutores ativos que escutam, interpretam e produzem conhecimento. A dinâmica epistolar revela a emergência de um espaço relacional que desloca a comunicação científica de uma lógica representacional para uma lógica dialógica. Como contribuição, o artigo propõe reconhecer o Sul global como centro de produção de saberes e a escuta como prática epistemológica.
A Augmented Reality Sandbox (AR Sandbox), ou caixa de areia de realidade aumentada, é uma ferramenta interativa de baixo custo que combina areia física com projeções topográficas em tempo real, possibilitando a visualização de conceitos geocientíficos de forma lúdica. Este artigo relata a experiência de uso da sandbox em atividades de divulgação geocientífica realizadas no Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), na cidade de Porto Velho, Rondônia, região Norte do país, com estudantes e professores. A pesquisa quali-quantitativa aplicou questionários a 170 participantes, avaliando perfil, engajamento, percepção de aprendizado e opinião sobre a ferramenta. Os resultados indicam alta receptividade: 72,4% classificou a sandbox como incrível e muito interessante, e 77,1% avaliou a visita como excelente. Discute-se a ferramenta como estratégia de mediação geocientífica situada no contexto do Sul Global, em que instituições públicas de ciência cumprem papel central na democratização do acesso ao conhecimento, conectando saberes técnicos à realidade ambiental e territorial da Amazônia.
A desinformação e a infodemia impõem desafios crescentes à circulação de conhecimento científico nos ambientes digitais, convocando periódicos científicos a ampliarem seu papel para além da comunicação entre pares. Este trabalho configura-se como um relato de experiência da produção audiovisual de Cadernos de Saúde Pública (CSP), revista científica internacional de acesso aberto que, desde 2018, atua firmemente na divulgação científica. A partir do levantamento de dados quantitativos e qualitativos das iniciativas desenvolvidas, como CSPCast e os programas Entrevista com Autores e Apresentação dos Autores, e da aplicação da matriz SWOT como ferramenta analítica, o estudo examina as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças dessa experiência. Os resultados evidenciam que as iniciativas acumularam mais de 20 mil visualizações no YouTube e aproximadamente 5 mil reproduções nos agregadores de áudio, com participação diversificada em termos de gênero e afiliação institucional, embora persistam lacunas geográficas relevantes, sobretudo nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. Conclui-se que periódicos científicos podem e devem ocupar os espaços digitais de forma qualificada e intencional, mas esse movimento exige profissionalização crescente, compromisso com a acessibilidade e estratégias para superar as assimetrias de alcance que ainda limitam a divulgação da produção científica produzida fora do eixo Sul-Sudeste.
Este relato de experiência descreve e analisa a construção da área de Divulgação Científica do INCTBIO, com foco na elaboração e implementação de seu Plano de Comunicação. Fundamentado na metodologia do LIDE, o plano organiza as estratégias comunicacionais a partir de perguntas estruturantes, permitindo alinhar objetivos institucionais, públicos e conteúdos. A análise evidencia que, diante da estrutura em rede do instituto, a permanência das ações comunicacionais exige a ampliação da participação dos pesquisadores na produção de conteúdos. Nesse contexto, a formação em Divulgação Científica é incorporada como estratégia estruturante, visando instrumentalizar os pesquisadores para atuarem de forma autônoma e alinhada às diretrizes institucionais. A proposta formativa articula fundamentos teóricos, práticas de escrita e de produção audiovisual, permitindo que diferentes núcleos desenvolvam ações adaptadas às suas especificidades. Tal abordagem contribui para ampliar o alcance, a diversidade e a capilaridade da comunicação científica, especialmente em contextos marcados por desigualdades estruturais, como na América Latina. O estudo propõe, assim, um modelo integrado entre planejamento comunicacional e formação passível de adaptação por outros núcleos de pesquisa interessados em institucionalizar práticas de Divulgação Científica.
Este resumo expandido de um ensaio trata sobre como a sociedade aceita ou rejeita medicamentos ainda em fase de estudos ou mesmo sem resultados comprovados, com base em “achismos” ou em um “wishful thinking”, em uma esperança vã de uma cura milagrosa para doenças graves. A sociedade aceita supostas soluções sem comprovação científica robusta, um fenômeno social, comportamental e comunicacional que deve ser analisado, inclusive com o objetivo de aprimorar a divulgação científica para o público leigo e potencial consumidor destes produtos. Os três elementos mencionados no título receberam grande visibilidade como supostas alternativas terapêuticas contra o câncer, como uma solução para a pandemia de Covid-19 e como uma cura para a lesão medular aguda. A comparação destes casos permite a reflexão sobre mídia, esperança, política e ciência, em sua intersecção com a sociedade. A conclusão é que o aceitacionismo deve ser analisado e contraposto ao negacionismo, outro conceito que dificulta que a divulgação científica alcance resultados mais efetivos.
A impercepção botânica apresenta um desafio para a valorização da biodiversidade vegetal e é potencializada pelo distanciamento entre a produção científica e o público geral. Nesse contexto, as redes sociais emergem como ferramentas relevantes para combater esse fenômeno. O presente trabalho rem como objetivo relatar a experiência de produção e publicação de conteúdos botânicos na rede social Instagram, a partir da comparação entre um perfil pessoal e um perfil institucional. A análise foi fundamentada nos dados disponibilizados pela ferramenta Insights, considerando métricas de alcance, interações e crescimento de seguidores. Os resultados indicam crescimento expressivo em ambos os perfis, com destaque para o perfil pessoal, que apresentou maior alcance e engajamento, enquanto o institucional demonstrou crescimento proporcional mais elevado. Observou-se que estratégias baseadas personalização da comunicação e parcerias entre perfis potencializam as publicações. Conclui-se que o Instagram se configura como uma ferramenta relevante para a divulgação científica, contribuindo para a sensibilização ambiental nos ambientes digitais.
Em 2025, na expectativa pela realização da COP30, em Belém, propusemos reformular um projeto originalmente desenvolvido para a COP26 (2021). Naquela ocasião, cientistas, programadores, músicos e compositores trabalharam em conjunto para fazer uma “atualização” nas Quatro Estações de Vivaldi considerando a situação do planeta em 2050 em relação às mudanças climáticas se nada começar a ser feito imediatamente. Neste texto, discutimos as múltiplas possibilidades de conexão entre música e ciência. Apresentamos também a experiência de produzir um concerto confrontando a obra original de Vivaldi com a versão alterada com base em dados científicos, na expectativa de emocionar e mobilizar a sociedade sobre a crise ambiental a partir de uma abordagem multissensorial.
Pesquisas de percepção pública da última década indicam crescente interesse da população brasileira por ciências, sobretudo Astronomia, um dos assuntos mais buscados pelos respondentes. Esta área, junto da Física, são consideradas essenciais para a construção do conceito contemporâneo de “ciência”. Buscando explorar as especificidades da divulgação científica nas Ciências Físicas e Naturais e suas reverberações na sociedade, apresentamos o processo de criação do CECILiA (Coletivo de Estudos em Comunicação, Informação e Linguagem em Astronomia e Física), associado ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Idealizado por mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural, buscamos discutir as motivações e lacunas experienciadas que fundamentaram o grupo, ressaltando a interdisciplinaridade destas áreas: além de conceitos científicos, integram-se no processo de construção da cultura científica o letramento, percepção da ciência e fatores socioculturais. Espera-se que essa proposta de rede colaborativa incentive novos estudos e ações práticas nas áreas de divulgação e comunicação especificamente de Astronomia e Física, focando em princípios como práticas dialógicas, representatividade, clareza informacional, valorização de diferentes saberes e cosmopercepções, e profissionalização dos divulgadores. Por fim, compartilham-se os projetos iniciais do grupo, que analisam como o conteúdo jornalístico nestas áreas é construído e representado para a sociedade.
Este trabalho tem como objetivo caracterizar estratégias argumentativas mobilizadas por divulgadores científicos brasileiros em vídeos do YouTube sobre mudanças climáticas. A pesquisa consiste em um recorte de um estudo mais amplo e analisa dois vídeos com posicionamentos distintos em relação ao consenso científico sobre o tema. Os dados foram obtidos por meio da transcrição dos vídeos com base na Análise Textual Discursiva, a partir da construção de categorias emergentes que contemplam dimensões estruturais, persuasivas e de legitimação dos discursos. Os resultados indicam que, embora os divulgadores mobilizem repertórios argumentativos semelhantes, as diferenças se manifestam na forma como essas estratégias são articuladas. O discurso alinhado ao consenso científico privilegia a explicação conceitual e a apresentação de evidências, enquanto o discurso negacionista combina elementos que simulam práticas científicas com estratégias de contestação epistemológica. Conclui-se que a disputa em torno das mudanças climáticas ocorre também no plano discursivo, evidenciando a necessidade de promover a Alfabetização Científica voltada à análise crítica de discursos em ambientes digitais.
A divulgação científica (DC) consiste no uso de recursos e técnicas que tornam o conhecimento científico, tecnológico e de inovação acessível ao público leigo, contribuindo para a democratização da Ciência. Esta pesquisa analisou a atuação do projeto “Ciência Oxe: On-line Divulgação Científica a partir do Semiárido”, considerando suas estratégias, seu alcance e sua contribuição social de 2020 a 2025. Nesse período, o projeto desenvolveu atividades de DC em ações presenciais e digitais, com destaque para a utilização de sua página no Instagram (@cienciaoxe). Além disso, foram realizadas reuniões quinzenais, formações, atividades itinerantes e recepção de escolas em laboratórios. Os resultados do perfil no Instagram demonstram alcance expressivo e engajamento relevante, com público majoritariamente brasileiro e presença internacional. Além disso, observou-se número expressivo de participantes nas atividades presenciais, com quantitativo de 1.302 visitantes nas atividades laboratoriais e itinerantes ao longo dos 5 anos do projeto. Ao longo de sua existência, o projeto se consolidou como espaço híbrido de divulgação científica, ampliando o acesso ao conhecimento e fortalecendo a extensão universitária.
Este trabalho apresenta o projeto de extensão “Divulgação científica nas áreas de STEM: Pop Science UFSM”, cujo objetivo é democratizar o acesso ao conhecimento científico e aproximar a produção acadêmica da sociedade por meio das redes sociais. A iniciativa surgiu como um grupo de discussão de artigos científicos, com ênfase na área de Física, e evoluiu para a produção sistemática de conteúdo digital, incluindo postagens sobre curiosidades científicas, séries temáticas e a valorização de pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Maria. Em 2025, o projeto ampliou suas ações com a criação da ação “Ciência em Primeira Pessoa”, promovendo interações entre especialistas e a comunidade. Em 2026, estabeleceu parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Física Nuclear e Aplicações, ampliando a atuação em divulgação científica para conteúdos especializados. Estruturado em subgrupos formados por estudantes de diferentes áreas de engenharia, ciência e tecnologia, o projeto desenvolve atividades de pesquisa, produção e edição de conteúdo. Ao longo de sua trajetória, registrou ampla participação discente e engajamento nas plataformas digitais. Os resultados evidenciam a relevância da extensão universitária como estratégia de popularização da ciência, contribuindo para o fortalecimento do papel social da universidade e para uma comunicação científica mais acessível e dialógica.
Este estudo examina os padrões de republicação de conteúdo científico em veículos de mídia jornalística no Brasil e no Canadá, com o objetivo de compreender como a informação científica circula em diferentes contextos nacionais. A pesquisa baseia-se na coleta sistemática de notícias, considerando variáveis como a originalidade, o veículo de publicação e a fonte da republicação. Os resultados revelam que a republicação ocorre de forma desigual e é mais frequente nas plataformas generalistas. Ambos os países demonstram uma forte dependência de conteúdos produzidos no Norte Global, o que indica padrões assimétricos na circulação global da informação científica. No entanto, há diferenças contextuais, especialmente no caso canadense, que apresenta maior circulação interna desse tipo de informação. Os achados também destacam o papel de modelos editoriais distintos, como o The Conversation, que diluem as fronteiras entre a autoria científica e a mediação jornalística. Os resultados sugerem que a republicação constitui um elemento estruturante da comunicação pública da ciência, influenciando a diversidade de perspectivas e a visibilidade de diferentes agendas científicas. O estudo contribui para o debate sobre as desigualdades globais na comunicação da ciência e aponta para a necessidade de compreender a circulação como dimensão central desse campo.
Nesta pesquisa investigamos as práticas de divulgação científica desenvolvidas por Clubes de Ciências brasileiros em suas redes sociais digitais, com foco no Instagram. Fundamentado na perspectiva da cultura científica (Vogt, 2012, 2023) e na compreensão da divulgação científica como práxis educativa, o estudo adota uma abordagem qualitativa, com procedimento netnográfico, analisando 25 postagens de cinco clubes vinculados à Rede Internacional de Clubes de Ciências. Os resultados nos permitem concluir que os Clubes comunicam uma diversidade de práticas, destacando-se a participação em eventos científicos e a explicação de conceitos, evidenciando potencial para a mediação entre ciência e sociedade. Contudo, também identificamos tensões entre postagens descritivas e aquelas com maior aprofundamento conceitual e crítico. Concluímos que os Clubes de Ciências, ao utilizarem o Instagram, configuram-se como espaços de produção, circulação e divulgação do conhecimento científico, contribuindo para a promoção da cultura científica em seus contextos sociais, especialmente de suas comunidades e territórios.
Este relato discute possibilidades e desafios para uma divulgação científica feminista e decolonial tendo como referência o modelo de comunicação e difusão do conhecimento adotado pelo Observatório Caleidoscópio. Para isso, relatamos atividades desenvolvidas no INCT Caleidoscópio, como a produção de conteúdos para sites e redes sociais, artigos para os Boletins semestrais, os podcasts e ações em projetos de extensão e pesquisa junto a comunidade. O INCT propõe uma política de divulgação feminista amefricana e anticapitalista que, mais do que disseminar conteúdos, se interessa pela construção coletiva de saberes em diálogo direto com a sociedade.
O Festival da Matemática – RS é um evento de popularização da Matemática desenhado inicialmente para proporcionar ao público, majoritariamente em idade escolar, contato com diferentes formas de vivenciar essa área do conhecimento. Em sua quarta edição, o evento contou com formato inédito, a saber, como Feira/Mostra de Ciências, na qual estudantes de escolas apresentaram trabalhos de iniciação científica na área de Matemática. Este relato apresenta a importância do protagonismo estudantil na produção de saberes, contato com o fazer científico e empoderamento na área da Matemática. Mostra a capilaridade do evento que atendeu escolas de mais de 20 municípios do RS. Aborda o engajamento das escolas na consecução do evento com a valorização dos saberes produzidos no âmbito da educação básica como forma de conexão entre a Universidade, Ciência e comunidades escolares. Conclui com as observações e impressões do evento pelos participantes com enfoque nos impactos da ação de Extensão Universitária no contexto escolar.
A Rede Internacional de Clubes de Ciências (RICC) é uma comunidade online e colaborativa para a promoção da cultura científica, permitindo o mapeamento e o compartilhamento de conhecimentos e de práticas educativas de Clubes de Ciências do Sul Global. Desse contexto, objetivamos analisar, à luz da espiral da cultura científica (Vogt, 2012) a articulação da RICC como rede de divulgação científica sobre, com e para os Clubes de Ciências a partir do mapeamento dos Clubes de Ciências da plataforma e pelas métricas de engajamento nas mídias digitais da rede. Para isso, realizamos um relato de experiência, articulando três percursos analíticos, em que interpretamos e socializamos como a arquitetura de rede da RICC confere visibilidade institucional e autoria às investigações científicas escolares situadas nos territórios do Sul Global, contribuindo para promoção de uma cultura científica, em perspectivas da divulgação científica, dialógica e colaborativa. Concluímos que a RICC como um espaço de articulação e visibilização dos Clubes de Ciências como agentes de divulgação científica, favorecendo o extravasamento da ciência desenvolvida na escola para a esfera pública e contribuições ao desenvolvimento de uma comunidade educadora clubista latino-americana, que promove cultura científica.
Este estudo descreve a experiência da I Feira Científica de Educação em Saúde sobre Doenças Determinadas Socialmente (DDS) na comunidade indígena Tikuna de Campo Alegre (AM). O evento, engajou 460 pessoas, entre estudantes, pais e lideranças. Alinhada à perspectiva “Sul como Centro”, a feira utilizou abordagens participativas e bilíngues em três eixos: passado, presente e futuro. Através de estações temáticas interativas sobre malária, hanseníase, tracoma, tuberculose e geo-helmintíases, promoveu-se o diálogo entre saberes tradicionais e científicos. Os resultados revelam a importância do fortalecimento do protagonismo indígena nas ações de educação em saúde, bem como o incentivo à formação científica de estudantes indígenas, aspecto evidenciado pela participação ativa dos jovens e pelo interesse despertado em seguir trajetórias acadêmicas e científicas.O uso de post-its para criar um mural coletivo na quadra permitiu o registro livre das percepções dos jovens, que manifestaram novas aspirações de carreira (médicos, professores, pesquisadores). A desmistificação da figura do cientista e a valorização da identidade local culminaram na solicitação das lideranças para uma edição futura voltada a crianças. Conclui-se que a feira foi um exercício de fortalecimento da equidade em saúde e a autonomia indígena.
Este artigo apresenta os estudos desenvolvidos sobre os arquivos – relatórios, portfólios e fotografias – produzidos por docentes alfabetizadoras/ alfabetizadores de escolas do campo, das águas e das florestas ao longo do curso de aperfeiçoamento Escola da Terra – Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, no âmbito da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA. Tomou-se por enfoque as abordagens da agroecologia e da sustentabilidade para orientar o ensino das Ciências da Natureza e a divulgação científica em turmas de alfabetização de escolas do campo, sobretudo ao refletir acerca das turmas multisseriadas. Os arquivos apontaram para preferências metodológicas das/ dos docentes de acordo com a realidade das escolas em que trabalhavam e das comunidades por elas atendidas. Nesse sentido, sobressaíram as hortas escolares e as experimentações como estratégias didáticas interessantes e pertinentes para a promoção da alfabetização e do letramento por meio do ensino das Ciências da Natureza. A conjugação das práticas docentes no Ensino de Ciências da Natureza para a Alfabetização e Letramento nas escolas revelaram a pertinência do imbricamento das temáticas escolares aos contextos culturais e às experiências cotidianas das comunidades em que se situavam, promovendo a ampliação destas com a culminância em feiras de ciências ou eventos de divulgação científica nessas comunidades.
A Divulgação Científica tem se destacado para além dos espaços físicos, alcançando seus objetivos nos ambientes digitais, como comunicar os conhecimentos científicos para fora do local onde estes são produzidos. O trabalho analisa o quadro “Carolina Cientista”, veiculado no Instagram, como proposta de popularização da ciência por meio de linguagem lúdica e protagonismo infantil. O quadro aborda temas variados das Ciências de forma acessível, leve e contextualizada. A pesquisa, de natureza quali-quantitativa e descritiva, baseia-se na análise dos 39 episódios com base em quatro critérios principais: conceitos científicos; obstáculos epistemológicos; tipo de discurso; potencial de despertar interesse. Os conteúdos foram organizados em cinco categorias: zoologia, física, corpo humano, temas interdisciplinares, ecologia e meio ambiente, articulando conceitos científicos ao cotidiano e a espaços não formais de aprendizagem. Os resultados indicam que a diversidade temática, aliada à linguagem acessível e ao protagonismo infantil, favorece o engajamento e a divulgação de conteúdos científicos. Os episódios analisados obtiveram um total de 20.957 visualizações, com 360 comentários. Percebe-se que o uso do Instagram amplia o alcance da Divulgação Científica e, conclui-se que o quadro constitui uma estratégia eficaz para promover o interesse pela ciência e contribuir para a alfabetização científica desde a infância.
Diante do crescente uso de plataformas digitais para obtenção de informação em saúde e da rápida disseminação de conteúdos falsos e imprecisos nestes ambientes, este relato de experiência busca descrever e refletir sobre estratégias de comunicação científica em saúde, desenvolvidas em âmbito de um projeto de pesquisa, voltadas à promoção da literacia em saúde e ao enfrentamento da desinformação. Este cenário torna-se mais crítico e emergente quando a população apresenta níveis insuficientes de literacia em saúde, apontando para estratégias eficazes de comunicação científica, tais como podcasts e programas de rádio. O projeto Desmistifake Saúde conta com dois canais principais para a divulgação da ciência: o Desmistifake Saúde Podcast e o Desmistifake em prosa, um programa situado na rádio institucional da universidade UNISINOS. Os resultados evidenciam três dimensões principais: o potencial de ferramentas como podcast e rádio na circulação da informação; o papel dos profissionais de saúde como comunicadores e mediadores do conhecimento científico; e os desafios relacionados à tradução da linguagem científica em formatos acessíveis. A partir destes achados, conclui-se que a diversificação dos formatos usados para a comunicação científica é essencial para disseminação de informações confiáveis em contextos digitais.
Neste artigo, buscamos estabelecer as conexões entre a divulgação científica e o design da informação, utilizando-nos das ferramentas do último para auxiliar no processo de comunicação com o público leigo dentro do projeto temático Experiência Arquigrafia 4.0, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) sediado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Para tanto, analisamos alguns posts que produzimos para o perfil no Instagram do Arquigrafia (@arquigrafia.org.br) a partir das experimentações que desenvolvemos em seu perfil de testes. Nesse sentido, é possível afirmar que o design da informação serve como um canal para que a divulgação científica se efetive nos posts, tornando seu conteúdo atrativo e palatável, e que realizar uma série de testes antes de publicar o material o torna mais maduro, evitando-se, inclusive, incorreções textuais ou visuais.
A escassez de ações de divulgação científica pelo Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da Universidade Estadual de Campinas motivou a criação de um projeto com o objetivo de ampliar o alcance social e a visibilidade institucional. Adotou-se uma abordagem multiplataforma, integrando blog e redes sociais, com conteúdo adaptado a diferentes públicos e orientados por princípios de clareza, acessibilidade e rigor científico. A identidade visual foi desenvolvida com base em preferências do público, obtidas por meio de questionários e testes comparativos. Foram produzidas publicações em diferentes formatos, incluindo textos, imagens e vídeos, abordando temas científicos, atividades acadêmicas e pesquisas do programa. A análise de métricas indicou aumento no alcance, nas interações e no acesso ao blog, além de maior participação de públicos externos. Observou-se que diferentes formatos de conteúdo desempenharam papéis complementares na atração, engajamento e fidelização da audiência, embora desafios tenham sido identificados na consolidação do público profissional. Os resultados evidenciam o potencial das mídias digitais para a comunicação pública da ciência e reforçam a importância do monitoramento contínuo e da adaptação das estratégias.
Criado em 2018, o Grupo de Aprendizagem em Ciência e Teatro (GACT) é um coletivo independente que se dedica à pesquisa, formação e criação na interface ciência-teatro. Os frutos dessas atividades incluem a publicação de livros e artigos, apresentações em e a organização de eventos, a realização de oficinas, minicursos e disciplinas, além de performances. O GACT é formado atualmente por pesquisadores, artistas e divulgadores da ciência precedentes de diferentes áreas e com experiências diversas no campo. Neste artigo, apresentamos o GACT, seus princípios e motivações e seus três eixos de atuação – pesquisa, formação e criação –, compartilhando nossas experiências, reflexões e inquietações sobre o teatro no contexto da divulgação científica.
A divulgação científica nas redes sociais configura-se como uma estratégia crescente de ensino-aprendizagem e de aproximação entre o conhecimento acadêmico e a sociedade. Este estudo relata a experiência de uma acadêmica de medicina, sob orientação científica, na produção e publicação de conteúdos de divulgação científica nas áreas de microbiologia e imunologia na plataforma Instagram. Durante três meses, foram realizadas postagens temáticas nos formatos carrossel e reels em um perfil previamente destinado à divulgação científica, abordando temas como alergia, vacinação e higienização de alimentos. Os resultados indicaram maior engajamento no formato carrossel com o tema furúnculo, seguido de boa performance do formato reels. Entre os principais desafios identificados estiveram o equilíbrio entre rigor científico e linguagem acessível, a curadoria de conteúdos e a seleção criteriosa das informações sem comprometer sua precisão. Observou-se, ainda, dificuldade na interpretação das métricas de engajamento, dada a influência de fatores como algoritmo, interesse do público e características do conteúdo. Conclui-se que o Instagram constitui ferramenta viável para a divulgação entífica por estudantes de medicina, por integrar-se ao cotidiano discente e favorecer o desenvolvimento de competências comunicativas e científicas.
Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa de mestrado em andamento, intitulada “Entre a viralização e a divulgação científica: a disputa por narrativas no TikTok durante a COP30”. O estudo principal investiga como o TikTok se configurou como arena de disputa narrativa durante a 30ª Conferência das Partes (COP30), realizada em Belém, Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025, orientando-se pela seguinte questão: como se configuram os temas, narrativas e atores que alcançam visibilidade no TikTok durante a COP30, e em que medida esses conteúdos se caracterizam como divulgação científica? O presente resumo foca especificamente na pré-análise exploratória realizada em setembro de 2025, etapa anterior ao início oficial do evento. Foram mapeados 262 vídeos associados às hashtags #COP30, #COPBELÉM, #COPNAAMAZÔNIA e #COPPARÁ, coletados em cinco datas distintas, por meio de observação direta na plataforma com anotações temáticas. Os dados revelaram predominância de conteúdos sobre infraestrutura do evento (50%), seguidos por temas climáticos (11,8%), político-partidários (11%), memes e sátira (7%), comunicação indígena (5%) e conteúdos sobre a Amazônia (2%).
Para compreender as percepções do público visitante sobre ciência, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) instalou a expografia interativa “Pilares da Ciência” na recepção do acelerador de elétrons Sirius. Este estudo analisa cerca de 18.770 interações espontâneas com essa instalação, no período entre 2024 e 2026. Os resultados revelam maior preferência por temas ligados à medicina, à aplicabilidade da ciência e a atividades práticas (hands-on). Em contrapartida, nota-se menor adesão a temas como nanotecnologia, materiais de leitura e aspectos do trabalho científico. Esses achados sugerem que o público tende a preferir temas mais próximos do seu cotidiano. Os resultados podem apoiar o desenvolvimento de novas formas de divulgação e expografia no contexto da visita ao Sirius, e em outras iniciativas do Centro, contribuindo para o aprimoramento da comunicação institucional.
A divulgação científica tem se consolidado como uma prática essencial para aproximar o conhecimento produzido nas universidades da sociedade, contribuindo para a alfabetização científica e para a participação crítica em temas contemporâneos. Nesse contexto, o presente estudo analisa a atuação do Laboratório de Popularização da Ciência, que utiliza ferramentas digitais e estratégias acessíveis para ampliar o alcance da ciência, especialmente por meio de redes sociais e cursos online. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com elementos adaptados de levantamento de percepções, baseada na análise de interações em plataforma digital e orientada pela análise de conteúdo. A investigação considera métricas como alcance, engajamento e origem das interações para avaliar o impacto das ações desenvolvidas. Os resultados indicam que a utilização de linguagens acessíveis e conteúdos dinâmicos favorece o interesse do público e estimula a construção de pensamento crítico, além de contribuir para a formação acadêmica dos participantes envolvidos no projeto. Conclui-se que iniciativas como essa fortalecem a relação entre ciência e sociedade, embora ainda enfrentem desafios relacionados à desinformação e à necessidade de comunicação ética e atrativa.
Uma peça teatral que divulga ciência combina elementos científicos com técnicas artísticas para informar, transmitir conhecimentos, suscitar sensações e experiências relacionadas aos processos da ciência e da arte. Neste trabalho analisamos como outros elementos do teatro, além da dramaturgia, podem comunicar ciência num espetáculo. Nosso objetivo é evidenciar aspectos da ciência apresentados por meio de objetos cênicos e figurinos de uma peça de teatro de divulgação científica. Para isso, descrevemos a criação de objetos cênicos e figurino de um espetáculo teatral e identificamos por meio de uma análise qualitativa os conhecimentos científicos e artísticos que embasam as produções, bem como, a forma com que a ciência é evidenciada em cena. Ao contrapor os conhecimentos presentes na dramaturgia com aqueles evidenciados nos objetos e no figurino, percebemos que objetos cênicos e figurinos utilizados no espetáculo ampliam a visão de ciência e os conhecimentos específicos que podem ser apreendidos pelos espectadores.
Cada vez mais cedo as crianças têm contato com a ciência e seus produtos. Assim, é urgente pensar estratégias para introduzi-las à cultura científica. No presente relato de experiência, apresentamos o projeto “Pequenos Cientistas em Ação: Explorando o Conhecimento como Repórteres” que ocorre no Colégio de Aplicação da UFSCar, no qual crianças de 5 a 6 anos foram colocadas no papel de repórteres científicos e exploraram três temas: embalagens biodegradáveis, poluição nos oceanos e agricultura familiar. Após visitarem uma rádio e uma estação de televisão, as crianças produziram perguntas para entrevistar diferentes atores envolvidos nos temas, além de vivenciarem os ambientes de pesquisas e de um assentamento, todos de São Carlos/SP. Destacamos especialmente as perguntas produzidas pelas crianças e refletimos sobre os impactos muito positivos para o início da formação cidadã. Evidenciamos, com as atividades, a possibilidade de potencializar o interesse das crianças no caminho de uma curiosidade epistemológica.
Neste estudo objetivou-se analisar as perguntas elaboradas por crianças sobre o trabalho de pesquisadoras matemáticas, buscando compreender as percepções que expressam e discutir suas implicações para divulgação científica em Matemática. De abordagem qualitativa e caráter interventivo, a pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública, por meio de um Laboratório de Investigação, no qual 22 crianças produziram perguntas a partir de suas curiosidades. Os dados foram analisados por meio da análise textual discursiva, permitindo interpretações da presença de visões estereotipadas, que associam a Matemática ao cálculo, à dificuldade e à genialidade, bem como compreensões limitadas sobre o trabalho do matemático/a. Por outro lado, sinalizam suas curiosidades e abertura das crianças para entender a Matemática como construção humana. À luz da perspectiva freiriana, sistematizaram-se movimentos de denúncia e anúncio, tensionando, a partir de núcleos epistemológico, identitário e prático-social, limites e possibilidades à divulgação científica matemática. Conclui-se que a divulgação científica matemática, quando orientada por uma práxis educativa dialógica, pode contribuir para ressignificar essas percepções, contribuindo para o desenvolvimento da cultura científica.
O Centro de Estudos sobre Urbanização para o Conhecimento e a Inovação (CEUCI) é um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD-SP) aprovados no edital da Fapesp de 2022. Diante da necessidade de disseminar as informações científicas das visitas técnicas realizadas pelos pesquisadores do Centro, o CEUCI propôs criar um podcast para compreender como os territórios do conhecimento podem se tornar espaços para a transformação social, econômica, tecnológica e ambiental. Desse modo, o objetivo do presente estudo busca compreender de que modo o formato de podcast contribui para a divulgação científica das visitas técnicas nos estudos de caso, além de entender o papel do CEUCI na discussão e na disseminação de informações sobre os territórios do conhecimento.
Apesar de escassa, a literatura em divulgação científica voltada às Ciências Humanas aponta para a existência de especificidades na forma como essas áreas são retratadas na imprensa. Estudos indicam que esse grupo de disciplinas tem menos incidência nas reportagens sobre ciência, que os pesquisadores costumam aparecer mais como comentadores do que como especialistas e que metodologias quantitativas são privilegiadas. Neste trabalho, discutimos por que esse tratamento diferenciado tende a acontecer. Com base em estudos na área, debatemos como práticas científicas e jornalísticas se articulam e influenciam a forma como essas áreas do conhecimento são comunicadas na mídia.
As mudanças climáticas e a insegurança hídrica são dimensões do tempo de precariedade para o qual Tsing (2022) nos alerta. Diante desse contexto, a partir de Dias (2020) e Krenak (2020), este trabalho se interessa por questionar um padrão de divulgação científica antropocêntrico. Portanto, no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Observatório Nacional de Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa (INCT – ONSEAdapata), este trabalho busca produzir uma comunicação que se relacione com a terra, as águas, a opacidade e a fabulação especulativa, tal qual Cantarino Rodrigues (2022) e Haraway (2023) sugerem que façamos.
A divulgação científica é historicamente marcada por uma lógica vertical, na qual o saber acadêmico se sobrepõe a outras formas de conhecimento. Este artigo investiga de que forma a Produção Horizontal do Conhecimento (PHC), proposta por Sarah Corona Berkin, tensiona a hegemonia do Conhecimento com Critério Científico e contribui para a construção de práticas mais dialógicas, territorializadas e decoloniais. A partir da revisão de modelos de divulgação científica — déficit, conhecimento leigo e engajamento público —, analisam-se suas potencialidades e limites, com destaque para as aproximações entre a Produção Horizontal do Conhecimento e os modelos que valorizam a participação social e a pluralidade de saberes. Por fim, argumenta-se que a incorporação dos princípios da PHC— conflito produtivo, igualdade discursiva e autonomia das vozes — permite reconfigurar a divulgação científica como espaço de coautoria intelectual e negociação de sentidos.
Este artigo analisa o papel do afeto na divulgação científica a partir de duas notícias brasileiras sobre a polilaminina, substância experimental investigada como potencial tratamento para lesão medular. Fundamentado na Semiótica greimasiana, o estudo adota uma abordagem qualitativa, documental e comparativa, com foco nos processos de enunciação, tematização, figurativização, modalização e construção da credibilidade. A análise mostra que a polilaminina não circula apenas como objeto cognitivo (vinculado ao saber técnico), mas é reconfigurada como um objeto de valor afetivamente investido por figuras como “esperança” e “luz”. Os resultados demonstram que o diálogo dos afetos não substitui o saber científico, mas reorganiza sua apresentação pública, modulando a relação entre cautela, promessa e autoridade. Conclui-se que, no contexto jornalístico, a divulgação científica não apenas transmite informação, mas se insere em um projeto de comunicação que reinscreve o saber em regimes de inteligibilidade atravessados por experiência, expectativa e mediação afetiva.
A Química muitas vezes é percebida como abstrata e distante da realidade da maioria das pessoas. Nesse contexto, o projeto intitulado Quarta em Reação visa promover a popularização da ciência por meio da demonstração de conceitos químicos aplicados a situações do cotidiano, utilizando como ferramenta de divulgação as redes sociais do Instituto de Química. Os conteúdos são publicados semanalmente, às quartas-feiras, contemplando temas atuais ou que despertem a curiosidade do público. As métricas da plataforma comprovam o engajamento com o conteúdo, indicando que a estratégia de periodicidade nas publicações e a abordagem de temas cotidianos contribui para que os conceitos científicos alcancem o público.
Desde 2024 estamos desenvolvendo um projeto para a elaboração de material táctil para oferecer noites de observação adaptadas para o público com deficiência visual. Neste trabalho, apresentamos o aprimoramento dos recursos de acessibilidade para divulgação na astronomia já produzidos, baseado nos princípios do Desenho Universal e da Inclusão Plena, e a sua aplicação em eventos de divulgação científica entre os anos de 2025 e 2026. Embora os materiais tenham sido apresentados para eventos com públicos numerosos, verificou-se a baixa participação de pessoas com deficiência visual, o que pode estar relacionada à percepção de que esses espaços não lhes são destinados. Como continuidade da pesquisa, pretende-se avaliar os materiais já desenvolvidos junto ao público com deficiência visual, visando aprimorar e otimizar os recursos.
À medida que a Inteligência Artificial permeia o cotidiano, ela desperta reações distintas. Alguns enaltecem seus benefícios para o acesso, a análise e a geração de grandes volumes de informação. Outros, porém, preocupam-se com seus impactos ético-sociais, especialmente na proliferação da desinformação. Nesse sentido, o Jornalismo Científico surge como prática da Divulgação Científica que visa mitigar tais fenômenos desinformativos por meio do compartilhamento de conhecimentos científicos para públicos não especializados. Para tanto, adota princípios e regras que aumentam a credibilidade da informação, sobretudo aquela relacionada às pesquisas no campo da Inteligência Artificial. Este Relato de Experiência busca compartilhar o trabalho de Jornalismo Científico desenvolvido no Laboratório de Inteligência Artificial, Recod.ai, da Universidade Estadual de Campinas. São apresentados desde a composição da equipe de jornalistas, estratégias de comunicação com os pesquisadores, as mediações com a grande imprensa, publicações em redes sociais, atividades organizacionais e de comunicação interna, bem como os aprendizados adquiridos e as dificuldades enfrentadas ao longo do processo.
Morcegos compõem uma grande parte da biodiversidade e possuem ampla relevância. No entanto, grande parte da população os teme ou rejeita. Cabe então, ponderar sobre o papel das mídias na construção desse medo ou rejeição. Nesta pesquisa, tomamos como recorte seis imagens de morcegos hematófagos veiculados nas revistas Galileu e Superinteressante. Identificamos os morcegos apresentados como elementos da natureza, objetos de temor e risco potencial.
Este artigo relata a concepção e o desenvolvimento do jogo Soluções, do canal Manual do Mundo. O jogo de tabuleiro foi proposto enquanto um produto de entretenimento educacional, tendo como objetivo principal o divertimento, mas também podendo contribuir para um aprendizado informal sobre ciências. Soluções é um jogo de investigação que tem como principal característica a incorporação de experiências químicas práticas em sua dinâmica. O mistério é ambientado na sede do Manual do Mundo, e tem como objetivo descobrir onde Ossosvaldo, um esqueleto feito com impressão 3D, foi escondido e quem o levou. Este é um jogo colaborativo, de mecânicas complexas e divertido para jogadores de diversas idades. Enquanto produto de divulgação científica, Soluções apresentou potencial de promover letramento científico, abordando conceitos científicos, aspectos de natureza das ciências e relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente.
O teatro de divulgação científica articula dimensões artísticas e científicas para a comunicação da ciência, sendo a cenografia um elemento central nesse processo. Este trabalho analisa a cenografia do espetáculo Sete ensaios depois do fim do mundo, do Grupo de Teatro Científico da Universidade Estadual de Ponta Grossa, com o objetivo de verificar em que medida ela se insere em uma perspectiva do Sul Global. A pesquisa, de abordagem qualitativa, baseia-se na análise de registros escritos da concepção da peça, observações do processo de criação cenográfica, fotografias dos objetos e figurinos, e dados sobre as apresentações. Os dados foram triangulados e interpretados considerando os eixos metodológicos de precariedade, performatividade e materialidade, propostos por Rebouças. Os resultados indicam que, embora a cenografia mobilize materiais reaproveitados e produza efeitos sensoriais que tensionam a relação com o público, sua concepção ainda se vincula a uma lógica de encenação dependente de infraestrutura técnica específica. Por outro lado, a obra apresenta tensionamentos epistemológicos ao valorizar saberes marginalizados e problematizar hierarquias de conhecimento no espaço acadêmico. Conclui-se que a cenografia analisada não se configura integralmente a partir de uma perspectiva do Sul Global, mas evidencia elementos híbridos que articulam crítica epistemológica, materialidade e condições de produção.
A interface entre teatro e ciência vem se consolidando especialmente no contexto da divulgação científica. Para contribuir na compreensão desse fenômeno no ensino de ciências, particularmente de química, este trabalho analisa a trajetória de onze anos do grupo QuiTrupe, projeto de extensão da Universidade Federal de Itajubá, no sul de Minas Gerais. Fundamentada na formação de grupos da Teoria Ator-Rede, a pesquisa mapeia características do grupo entre os anos de 2013 e 2024 por meio de registros documentais e relatórios de extensão. Os resultados apresentam o perfil de 59 participantes, em sua maioria estudantes do curso de licenciatura em química. A análise abrange também a produção artística e científica do grupo, que conta com seis peças de construção coletiva e duas com dinâmicas particulares. As investigações dos membros demonstram o caráter formativo dessa prática, que aliou a literatura infantojuvenil à experimentação química em narrativas teatrais didáticas. Conclui-se que a trajetória do QuiTrupe exemplifica uma dinâmica particular da articulação teatro-ciência, contribuindo para o delineamento de uma área em expansão global a partir de uma perspectiva brasileira.
A divulgação científica enfrenta o desafio de captar a atenção do público em meio à grande quantidade de conteúdo nas redes sociais, especialmente no uso de imagens de animais silvestres para a conscientização ambiental. Embora sejam ferramentas de educação e sensibilização, ainda há lacunas sobre como diferentes abordagens visuais e estratégias de engajamento influenciam o impacto dessas ferramentas. Para tanto, este estudo investigou como diferentes tipos de postagens, formas de apresentar animais, qualidade das imagens e categorias de perfis influenciam o engajamento em publicações de divulgação científica no Instagram. Os dados foram coletados manualmente e analisados de forma quantitativa e qualitativa. Os resultados indicam que criadores de conteúdo alcançaram maior engajamento, sobretudo com imagens bem iluminadas, cores vivas e foco nítido. Publicações que combinaram vídeo, fotografia e animação também geraram maior engajamento. Além disso, vídeos, especialmente reels, foram mais eficazes para gerar maior engajamento. Ademais, perfis generalistas e de ornitofauna geraram mais curtidas. O estudo sugere que a combinação de qualidade visual, interatividade e a abordagem descontraída de criadores de conteúdo contribui para uma divulgação científica mais eficaz. Estudos futuros podem investigar respostas emocionais a partir de comentários e compará-las às de outras redes sociais.
O programa SGBeduca do Serviço Geológico do Brasil desenvolveu a Vitrine dos Minerais, um acervo digital de acesso gratuito que disponibiliza modelos tridimensionais interativos de minerais, rochas e fósseis, visando superar a carência de coleções físicas e de infraestrutura para o ensino de geociências nas escolas brasileiras. A partir de técnicas de fotogrametria de baixo custo, foram gerados modelos rotacionáveis e de alta resolução, integrados ao portal do programa com fichas explicativas em linguagem acessível e sugestões de atividades pedagógicas. O recurso dialoga com competências da Base Nacional Comum Curricular e com experiências internacionais de museus virtuais, evidenciando o potencial de produção local de soluções educacionais digitais no contexto do Sul Global. A iniciativa permite a observação detalhada de propriedades como textura, brilho e cor, ampliando as possibilidades de trabalho docente mesmo em locais sem acervos geológicos tradicionais. Conclui-se que a Vitrine dos Minerais representa um avanço na democratização do acesso ao conhecimento geocientífico e inspira a replicação da metodologia em outras instituições públicas, contribuindo para uma divulgação científica mais inclusiva e territorialmente sensível.
A Agenda 2030 e o ODS 18, Igualdade Étnico racial recolocam o desafio de articular justiça social, justiça ambiental e produção de conhecimento sobre territórios vulnerabilizados. Este trabalho apresenta a experiência de construção do WebGIS “Racismo Ambiental”, desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil no âmbito do programa SGBeduca, a partir da integração entre dados de setorização de risco geológico, informações censitárias com recorte por raça/cor e bases territoriais de povos indígenas, comunidades quilombolas e favelas. Metodologicamente, trata-se de um relato de experiência baseado em análise documental e descrição das etapas de seleção de bases de dados, estruturação da ferramenta geoespacial e exploração de seu potencial comunicacional. Os resultados indicam que o WebGIS amplia a visibilidade das sobreposições entre riscos geológicos e territórios historicamente racializados, favorecendo leituras críticas sobre o racismo ambiental e subsidiando debates sobre metas e indicadores do ODS 18. Argumenta-se que a plataforma opera como dispositivo de divulgação científica e educação em direitos, ao aproximar públicos diversos de dados técnicos normalmente restritos a especialistas. Por fim, discutem-se limites e possibilidades da iniciativa, destacando a necessidade de ampliar a cobertura territorial, incorporar novas camadas de informação e fortalecer a participação de comunidades afetadas na interpretação dos mapas.
Local (todas as sessões): Lounge Centro de Ciências
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